Em ruínas, à espera de alguma reconstrução, Termas Yara movimenta pessoas e histórias

Em ruínas, à espera de alguma reconstrução, Termas Yara movimenta pessoas e histórias
Termas Yara, do fausto às ruínas – DIVULGAÇÃO

(texto de Victor Grein Neto)

Na década de 30 o empresário paulista Domingos Regalmuto adquiriu extensa propriedade em Bandeirantes para explorar a madeira que abundava na região. Conta a História que, em certo dia, andando pela propriedade (Fazenda Yara) se deparou com um alagado de água cheirosa, que depois virou Fonte São Domingos, dando origem à implantação do Hotel e Termas Yara na década de 40. A 10 quilômetros da cidade. Construção muito avançada para a época e a região, tinha até um cassino e atraia gente de todo o Estado e de outras localidades brasileiras. Muitas pessoas vinham em busca de cura para seus males. A água fora classificada como mineral, hipotermal, alcalina, bicarbonatada, sulfatada, cloretada sódica. O hotel podia hospedar 200 pessoas, tinha uma grande piscina termal e pista de pouso para pequenas aeronaves.

Regalmuto teve problemas com a saúde, amputou as pernas e deu fim à vida. Seu herdeiro morreu 2 anos depois de um acidente de carro. Acontecia, então, o fim do Yara, que se encontra em ruínas desde 1980.

Hoje a fazenda é de propriedade do casal Cláudio e Rafaela Delgado e as ruínas servem de cenário, mediante reservas (fone 43) 98462-9364), para encontros de motos ou outros veículos, fotos de casamentos, aniversários ou de lançamentos de moda. As pessoas perambulam pela propriedade (alertadas pelos perigos das ruínas), fazem caminhadas, chegam até a capela São Domingos (igualmente construída por Regalmuto, em estilo arquitetônico italiano), também desativada.

De vez em quando alguém aparece para filmagens de histórias sobrenaturais, paranormais, e o casal proprietário proibiu a continuação dessas lendas. Rafaela e Cláudio tem um projeto para implantar uma cervejaria em prédio próximo. Tanto, que a filha, Bárbara, está frequentando em Blumenau um curso de cerveja artesanal. O hotel, porém, com toda a sua grandiosidade (dá para imaginar o fausto), continua à mercê do tempo.

Transforma-se em um contraste com o avanço do turismo em Bandeirantes, que hoje dispõe de atrações que atraem milhares de pessoas, como o Santuário de São Miguel Arcanjo, o 3º maior do mundo dedicado ao santo (a imagem de São Miguel tem 19,2 metros de altura). Ou o Castelo Vinícola La Dorni. Ou, principalmente, a grandiosidade e luxo do Morro dos Anjos Águas Quentes Resort.

Filme

Um filme paranaense, com cenas rodadas no Hotel Yara (e também em Maringá), “A Cápsula”, selecionado para o festival internacional Olhar de Cinema, vai ser exibido no próximo dia 13 de junho em Curitiba. O longa-metragem é uma história de ficção científica, coprodução entre a Cosmos Filmes, de Maringá e a produtora Kinopus Audiovisual, de Londrina. Tem a participação dos atores Danielli Pasquini (Maringá), Bernardo Hohmann (Curitiba) e Luiz Carlos Persy (Rio de Janeiro).

“A Cápsula” conta a história de Mariana (Danielli Pasquini), uma moça sonhadora e seu irmão mais novo, Dinho (vivido pelo ator mirim Bernardo Hohmann, de 10 anos), que sobrevivem em um futuro pós-apocalíptico e encontram uma cápsula do tempo que os guia em uma missão para salvar seu povoado. Juntos eles enfrentam misteriosas memórias do passado. Quando um povoado próximo é atacado pela temida gangue “Breu”, os 2 irmãos se unem a um amigo e a um casal de idosos peregrinos em uma viagem até a grande cidade, na arriscada missão de encontrar uma forma de resolver o problema da falta d´água. As memórias contidas na cápsula tornam-se as grandes chaves dessa jornada.

Livro

Também um livro, “Águas Yara, a Deusa das Águas”, de Walter de Oliveira, está para ser lançado. Textos foram publicados no jornal Folha do Norte Paranaense.

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