Londrina da Laura, Selma, Gaby e do “Balaio das Putas”

A fama de Londrina como uma das melhores terras para a agricultura do mundo, seu espantoso desenvolvimento com a monocultura cafeeira, é muito conhecida. Discorre-se muito, em crônicas, defesas de tese, dissertações, artigos em jornais e revistas, sobre a prostituição que ocorria nos anos 50, os prostíbulos de luxo (alguns) e os mais simples (outros). Há informes de que, na década de 60, a cidade chegou a ter mais de 6 mil mulheres de programa.

São muito conhecidas também, mundo afora, as histórias das cafetinas que vinham de avião de São Paulo ou Rio de Janeiro em busca do cascalho que refulgia fácil e intensamente. Nos finais de semana, grande parte da cidade ia ao aeroporto para ver suas chegadas. 

O historiador Edson Holtz Leme, autor do livro “Noites Ilícitas – Histórias e Memórias da Prostituição”, afirma que “essas mulheres públicas eram toleradas no município porque os pais de família queriam preservar a virgindade das filhas e, por isso, sabiam que os rapazes iriam precisar dos serviços das garotas de programa”. Na verdade, os bordéis não eram sinônimo apenas de sexo, mas de diversão: lá os homens se encontravam para beber, jogar conversa fora, ver shows, jogar sinuca, ouvir música.

No local onde hoje está o Terminal Rodoviário, conhecido como Vila Matos, havia cerca de 100 casas de tolerância. Das arquibancadas do estádio Vitorino Gonçalves Dias, o VGD, quando o jogo estava ruim, tinha mais gente olhando para aquelas casas – e suas cenas – do que para o tapete verde.

Laura (que depois fundaria o La Licorne em São Paulo), Selma ( com a sua boate Diana e depois Nova Diana) e Gaby eram alguns dos nomes mais conhecidos de Londrina. Elas eram as cafetinas de luxo e mantinham casas de luxo.

Naquela época, quase todas as ruas londrinenses eram de terra – aquela terra vermelha, grudenta quando chovia e poeirenta quando fazia sol – e as meretrizes usavam charretes para se locomover. Esse meio de locomoção ficou associado, na cidade, à vida fácil e as mulheres que tinham uma vida mais difícil evitavam-no. Mas havia algumas que chegavam e, desavisadas, passavam a ser olhadas como meretrizes. Bem no centro, havia um ponto de charretes com pneus, que receberam o apelido de “Balaio das Putas”.

Há declarações de que as festas das colheitas, fartas, eram comemoradas na chamada “zona” e não apenas a alta prostituição como o baixo meretrício viam suas economias mais aquecidas ainda nesses períodos. Alguns patrões festejavam nos bordéis seletos, enquanto alguns dos seus trabalhadores iam para as casas mais baratas – com conta paga pelos empregadores.

Hoje

Fala-se muito, enfim, que Londrina TINHA muitas boates de luxo, que o sexo era desenfreado naqueles anos de 1950 ou 1960. O que não se fala é que a cidade CONTINUA tendo seus locais de luxo para a prostituição. Só que os tempos são outros e a era digital permite que as pessoas possam contratar suas meretrizes de luxo através da Internet, apreciando-se antes, nas telas do computador ou celular, as belezas femininas e suas performances.

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